Bipolaridade: Sintomas, tratamentos e causas

Entenda como a fase da euforia pode atrapalhar no tratamento dos portadores de Transtorno Bipolar de Humor

 

Quem nunca ouviu falar: “Tem muita gente que é bipolar e nem sabe”? Isso é uma verdade. A bipolaridade muitas vezes é usada como uma maneira de se referir a pessoas que mudam de humor facilmente ou que tem um humor que sempre pode nos surpreender. Em muitos casos, se fala desse transtorno de forma muito indevida e preconceituosa. Mas ele está muito mais entre nós do que se imagina.

De acordo com ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), em 2018, se tem uma estimativa de que 2,5% da população mundial sofre de Transtorno Bipolar de Humor, também chamado de Transtorno Afetivo Bipolar. Os sintomas podem ocorrer na infância, como na faixa etária entre 15-19 anos, ou por volta de 30 anos.

Tirando o tabu sobre o que é Bipolaridade, também chamada de Transtorno Afetivo de Humor, é preciso entender que, assim como quem sofre de algum outro transtorno ou doença mental, a pessoa não escolheu ter essa doença. Em muitos casos, ela pode ter desenvolvido a doença ou o transtorno por herança genética.

O mais importante, então, é jogar fora o preconceito sobre o tema e buscar uma compreensão maior sobre o que se passa com o outro e até com você mesmo/a.

É importante entender que muitas doenças mentais, assim como transtornos mentais, são desequilíbrios na química do organismo. Na fase depressiva, portadores do Transtorno Bipolar de Humor podem apresentar grande cansaço físico e perda de força física. Já na fase eufórica, podem sentir muita agitação, insônia e até a sensação de que não é necessário comer tanto, porque a pessoa pode se sentir muito bem, cheia de disposição e produtividade. Em alguns casos de euforia, a pessoa acaba acreditando que está extremamente bem, com muita energia, e tende a produzir além do que outras pessoas. Em contraponto, como seu cérebro está desencadeando muitas atividades, a pessoa tenta fazer várias ações ao mesmo tempo, podendo fracassar em todas.

Com base na Psicanálise, os portadores de Transtorno Bipolar de Humor e Transtorno Monopolar ou Unipolar de Humor, também chamado de Depressão, fazem parte do quadro da Melancolia, que se insere na estrutura Psicótica.

 

CAUSAS DA BIPOLARIDADE

Até hoje, sabe-se que toda pessoa psicótica tem algum parente na família que desenvolveu algum tipo de Psicose, como a Paranoia, a Esquizofrenia, a Depressão, entre outros Transtornos de Humor.

A medicina hoje está muito atenta ao fator genético, mas certamente também há uma relação do desencadear dessas doenças a fatores externos, como:  falta de disciplina com relação ao sono, muitas noites mal dormidas, trabalho excessivo, cobranças em excesso tanto na vida profissional como na vida pessoal, assédio moral e violência sexual.

Por isso que, ao se buscar qualidade de vida, é extremamente importante ter como primeira meta a atenção à saúde mental. Sem ela, não se consegue ter um estilo de vida equilibrado e se desencadeia sintomas na mente e no corpo pela falta do respeito às suas necessidades básicas para viver bem.

O Transtorno Bipolar de Humor é uma doença grave que, quando não tratada de forma adequada, afasta os portadores de seus ciclos familiares, sociais e profissionais. Com isso, eles não conseguem lidar com problemas simples e principalmente com os mais complexos. Como consequência, vem uma grande perda da vontade de realizar seus sonhos, devido à frustração enorme que os portadores sofrem.

 

SINTOMAS DO TRANSTORNO BIPOLAR DE HUMOR

O Transtorno Bipolar de Humor, como o próprio nome diz, pode ser composto de duas fases: A Depressão e a Euforia, também chamada de Mania.

Quem nunca teve um dia em que parece que “meu mundo caiu”? E com isso, veio uma enxurrada de lágrimas ou uma explosão de uma fúria muito grande? Esses podem ser sintomas de que a pessoa tem Transtorno de Humor Bipolar ou Monopolar, mas não podemos generalizar.

E o mau humor? Ele é muito presente em pacientes melancólicos, que também podem manifestar apatia, falta de vontade de interagir com o outro e falta de vontade de entrar em ação quando estão na fase da Depressão.

No tópico sobre os tipos de Transtorno Bipolar você vai entender melhor como esse transtorno pode se manifestar, incluindo pessoas que só desenvolvem o Transtorno Monopolar, em que apenas a Depressão é desencadeada.

 

FASE DA DEPRESSÃO – PODE SER A ÚNICA FASE PARA PORTADORES DE TRANSTORNO DE HUMOR

Muitos psicanalistas, psicólogos e psiquiatras entendem que pessoas que desencadeiam apenas a Depressão, assim como as que desencadeiam também a Euforia, pertencem a um único grupo: Portadores de Transtorno Bipolar de Humor.

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, 15% da população que sofre de Depressão Bipolar comete suicídio. Isso mostra a gravidade da doença e quanto é importante que a pessoa portadora desse transtorno seja ajudada por profissionais qualificados o quanto antes.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que 300 milhões de pessoas sofrem de Depressão no planeta. Porém, os dados não demonstram quantas pessoas deprimidas buscam ajuda profissional para tratar de sua saúde.

 

DEPRESSÃO: CONHEÇA OS SINTOMAS

Em muitos casos de depressão, o que acontece com frequência é a perda da memória, o que pode causar muito mal-estar no portador, que passa a acreditar que está com alguma doença mais grave que atinge sua cognição. De fato, a mente de quem sofre com a depressão está doente e, enquanto não se segue o tratamento adequado, há perda de memória e de capacidade de assimilação de mensagens simples – um sintoma que muitos portadores buscam disfarçar.

A depressão pode aparecer de várias maneiras, podendo vir acompanhada de grande irritabilidade, assim como na fase da euforia. Em uma visão mais geral dos portadores na fase de depressão, os sintomas são: sentir-se sem planos para o futuro, apatia para acontecimentos positivos como negativos, perda de vontade de interagir, dores pelo corpo, cansaço, vontade de dormir ou perda de sono, mudança nos hábitos alimentares como muita fome ou pouca fome, além de uma mudança pela escolha de alimentos.

A depressão pode ser única ou recorrente, e se apresentar com intensidade leve, moderada ou grave. Sua duração também pode variar até mesmo para uma única pessoa, de semanas a anos.

Em alguns casos, há pessoas que, em depressão, sofrem por sentir o gosto e o cheiro de comida estragada. Isso é muito comum e pode desencadear uma anorexia grave. Por outro lado, outras pessoas podem ter muita compulsão alimentar e, assim, desenvolver bulimia e obesidade.

É importante entender que nem todo mundo que sofre de depressão demonstra isso com a falta de zelo com a sua imagem. Então, é importante não julgar a pessoa deprimida afirmando que ela não está doente porque está cuidando do seu corpo e de sua roupa. Isso são fatores muito superficiais que podem estar tamponando uma fase muito difícil na vida do portador.

Inclusive,  especialistas da área da Saúde Mental orientam os portadores de transtornos mentais a interagir e a praticar exercícios físicos para ajudar na busca pelo equilíbrio químico do corpo.

 

FASE DA EUFORIA

Humor exaltado, aceleração de pensamento, agitação, excesso de energia e mudança brusca de humor são características básicas da fase da Euforia. É comum também apresentar perda da linha de pensamento e ter fala rápida e interrompida por momentos em que a pessoa busca se lembrar do que ela estava falando antes.

A melhor palavra para definir essa fase é o ímpeto: se exprimir por impulso e sem limite em alguns quesitos da vida ou como um todo. Vai depender de como a pessoa é afetada pela euforia e se ela tem acompanhamento de profissionais da área da Saúde Mental para perceber que está um pouco mais ou muito eufórica que seu estado normal.

Ao mesmo tempo em que a pessoa pode não só viver uma fase de baixa no humor – ou seja, um quadro depressivo -, ela pode ir para a elevação do humor, o que gera grande empolgação e alegria repentina. Os graves sintomas são irritabilidade,  delírio de grandeza e alucinação auditiva e visual, uma vez que a mente entra em grande aceleração.

A fase da Euforia vem com o humor lábil, ou seja, à flor da pele, muito característico da bipolaridade. Ao mesmo tempo em que a pessoa pode estar rindo muito, porque seu humor está muito mais exaltado que o normal, ela pode ter uma explosão de raiva e se irritar facilmente com ela mesma ou com alguém. Com o humor lábil na fase depressiva, a pessoa pode se emocionar com mais facilidade e até sentir mais a dor pelo sofrimento do outro do que normalmente sentiria, caso seu cérebro estivesse mais equilibrado.

A fase da euforia requer muita atenção, porque esse período também pode ser acompanhado de grandes gastos financeiros e várias noites sem dormir. A pessoa não entende que está numa espiral, que está lhe levando para um grande risco de falência em vários aspectos. Isso vale tanto para o  financeiro como falta de vida mesmo. Movida pela impulsividade, a pessoa pode ter pensamentos suicidas, principalmente porque acredita que nunca vai conseguir encontrar o equilíbrio de uma vida saudável. Também há casos de pacientes que não querem viver eternamente usando medicamentos para estabilizar seu humor.

A gravidade da doença se apresenta nas compulsões que a pessoa pode adquirir por comida, compra, sexo ou atos que a levem a correr grandes riscos de vida, como o uso de drogas ilícitas e medicamentos de forma indevida. Isso acontece porque, em muitos casos, quem sofre de Transtorno Bipolar de Humor perde a noção do que é perigoso, tendo uma tendência a se aproximar da morte de várias maneiras diferentes, inclusive pensar, planejar e executar o suicídio.

Essa fase é a mais difícil de ser percebida pela própria pessoa porque ela pode começar, devagar ou subitamente, com uma sensação de grande bem-estar, em oposição à fase deprimida, que geralmente vem com bastante cansaço e apatia. Por isso, é extremamente importante o acompanhamento através de análise ou terapia semanal, para que, com a ajuda de um profissional, a pessoa tenha consciência sobre o que está acontecendo na sua mente.

 

TIPOS DE TRANSTORNO BIPOLAR DE HUMOR

Basicamente, quando se fala em Transtorno Bipolar de Humor, as pessoas acham que o portador da doença tem que apresentar os dois pólos da doença: a euforia e a depressão. Mas isso é um fato para todas as pessoas que possuem o Transtorno Bipolar de Humor. Vamos entender melhor os diferentes tipos.

 

TRANSTORNO MONOPOLAR OU UNIPOLAR: A DEPRESSÃO

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a Depressão ou Transtorno Monopolar ou Unipolar de Humor é mais presente na população mundial do que o Transtorno Bipolar de Humor. Dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) mostram que mais de 4 milhões de brasileiros sofrem com essa doença.

O que caracteriza a depressão é uma tristeza prolongada constante, irritação e/ou choro fácil, sensação de vazio muito grande, além de alterações no sono e no apetite.

Para se caracterizar uma pessoa portadora de Transtorno Unipolar não é necessário que ela tenha uma fase de euforia, basta ter os sintomas de Depressão.

 

TIPO 1

É o mais recorrente. O portador passa pelo menos por uma fase de euforia e entra na fase da depressão. A fase da depressão pode ser mais longa, mas a fase da Euforia pode levar à perda do contato com a realidade, através de alucinações e delírios.

TIPO 2

Portadores do tipo 2 de Transtorno Bipolar de Humor geralmente não têm a fase da Mania muito acentuada. Eles apresentam uma Hipomania, que corresponde a um estágio de euforia mais branda do que a presente no tipo 1. Mas não se pode deixar de dar importância à fase de Hipomania porque ela pode evoluir e chegar à Mania.

CICLOTIMIA

As pessoas portadoras desse transtorno podem variar em um único dia entre a euforia e depressão. Geralmente são pessoas que têm maior dificuldade em encontrar a medicação adequada para o seu caso. Em muito casos, são as que mais sofrem psicofobia, que é o preconceito do outro pelo seu quadro mental, justamente por falta de informação a respeito.

É importante destacar que o mesmo paciente diagnosticado com tipo 1 ou 2 pode fazer ciclagens rápidas,  a depender de fatores externos, falta da medicação adequada e muitos dias sem dormir. Além disso, a mesma pessoa pode ser diagnosticada como pertencente a um tipo de Transtorno Bipolar de Humor e pode mudar para outro ao longo de sua vida.

 

O TRATAMENTO

Muito diferente do que o senso comum pensa, um portador de Transtorno Bipolar ou Unipolar pode levar uma vida normal, a depender da gravidade do seu transtorno. Em muitos casos, o portador desse transtorno tem sua autoestima muito abalada e, com isso, tende ao isolamento e a não querer demonstrar seus sintomas às pessoas ao seu redor, principalmente no ambiente profissional.

O grande empecilho para o tratamento é que o portador, quando está na fase da euforia, se sente tão bem que não quer tomar remédios. Ele se sente muito mais feliz do que o seu estado normal e com mais disposição para viver do que quando está medicado. Com isso, acaba sempre estando no limite de uma exaustão física e mental e até mesmo um surto psicótico.

Infelizmente, até hoje não existe medicamentos específicos para portadores de Transtorno Bipolar de Humor. Geralmente é necessário o uso de um coquetel composto por estabilizadores de humor, do grupo dos neurolépticos, ansiolíticos e, quando a fase da depressão se manifesta, antidepressivos. Na fase eufórica também é necessário o uso de antipsicóticos para reduzir o ritmo muito acelerado da mente.

A medicação indicada somente por psiquiatras deve ser respeitada, seguindo a dosagem de acordo com a necessidade do portador do transtorno. Em muitos casos, pode demorar para encontrar a dosagem adequada, assim como a medicação certa para cada pessoa.

O uso de medicamentos é extremamente importante, mas não se pode esquecer da relevância da análise ou terapia semanal, para que o profissional ajude o portador a perceber se está ou não passando pela fase eufórica ou depressiva. Todo portador de Transtorno Bipolar ou Unipolar precisa fazer análise ou terapia e, pelo menos uma vez ao mês, visitar um psiquiatra para avaliar como o tratamento está progredindo.

Infelizmente, a Bipolaridade não tem cura. Por isso que o  uso contínuo de remédios, análise ou terapia devem fazer parte da rotina do portador. É fundamental também uma mudança no estilo de vida do portador para um ritmo menos acelerado, em que a pessoa não se sinta muito cobrada a alcançar resultados em curto prazo. Transformar-se em uma pessoa altamente disciplinada com relação à quantidade de horas dormidas também é fundamental para aumentar a qualidade de vida da pessoa.

 

Artigo publicado no Personare:

https://www.personare.com.br/bipolaridade-sintomas-tratamentos-e-causas-m31141

 

COMPARTILHE: